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A Netflix está amaldiçoada com novas temporadas. A maior plataforma de streaming do mundo está com um grave problema de retenção de público para novas temporadas de suas produções. Algumas das produções da Netflix têm perda de até 70% de audiência em novas temporadas. O assinante da Netflix não está mais retornando para assistir a novas temporadas de séries que foram sucesso de audiência em suas primeiras temporadas. Séries como ‘Avatar: The Last Airbender’ tiveram uma queda de 60% apenas na primeira semana de estreia da nova temporada. ‘O Agente Noturno’ caiu 50% na 2ª temporada e 35% na sua 3ª temporada. A série ‘One Piece’ se tornou um dos maiores sucessos da Netflix em 2023, mas sofreu um baque de 30% a menos de audiência na sua nova temporada. E ‘Treta’, um sucesso aclamado de audiência, crítica e premiações, teve uma queda de 70% de sua audiência no lançamento da sua 2ª temporada. Por quê? O que explicaria essa “maldição” das novas temporadas de produções da Netflix? Por que os assinantes não retornam para acompanhar novas temporadas de séries que já aprovaram? Segundo um artigo da Bloomberg, o cerne dessa questão ainda é um mistério até para a própria Netflix, que já iniciou uma análise interna de dados para descobrir a causa desse problema. Porém, a resposta mais rápida pode ser o grande intervalo entre temporadas. ‘One Piece’, por exemplo, foi lançado em 2023 e só teve uma nova temporada em 2026, três anos depois. Esse longo hiato entre temporadas tem se tornado comum na indústria, mas principalmente na Netflix. A Netflix é conhecida por sempre estar lançando uma quantidade absurda de conteúdo em sua plataforma. Todo dia há centenas de novas séries e filmes disponíveis no catálogo. Uma das explicações para o assinante não retornar para novas temporadas é que ele se perde no meio da enxurrada de conteúdo lançado nesse longo período de hiato entre as temporadas e talvez nem mesmo reconheça mais o conteúdo que assistiu anos atrás. Agora, vamos voltar um pouco no tempo. Lembra das sitcoms? ‘Friends’, ‘Seinfeld’, ‘How I Met Your Mother’ e ‘The Big Bang Theory’ são algumas das sitcoms mais famosas e bem-sucedidas da história da televisão. Sitcom significa “situation comedy” (ou “comédia de situação”). São comédias focadas em situações cotidianas dos personagens em cenários fixos. E elas possuem plateia! As risadas que você ouve em uma sitcom são risadas reais. Quase como uma peça de teatro. Há pessoas ali assistindo àquela cena ao vivo, e é aí que está o maior trunfo de uma sitcom: a risada da plateia é o melhor termômetro de uma piada. Se a plateia não ri de uma cena cômica, então os produtores têm a oportunidade de corrigir e melhorar a cena NA HORA! A produção tem cerca de 100 pessoas disponíveis ao vivo, o tempo todo, equanto as cenas são filmadas, servindo de avaliadores para o desempenho da série. Até você assistir àquele episódio na sua casa, a produção já teve diversas oportunidades para melhorar a cena. Isso não existe mais hoje. Uma temporada de ‘Friends’, por exemplo, tem 22 episódios espalhados por meses de exibição na TV. Há muito mais tempo disponível para a produção corrigir erros e fazer melhorias na história e no desenvolvimento dos personagens. Hoje, as séries são mais curtas, com no máximo 10 episódios, com produções muito mais robustas do que antigamente, exigindo mais recurso e mais esforço, mas com muito menos margem de erro e tempo de correção. Antigamente, acompanhávamos uma mesma série por meses, assistíamos a um episódio por semana, e comentávamos e discutíamos tudo relacionado por uma semana inteira. E o processo se repetia por várias semanas. Isso permitia que o espectador se conectasse melhor com os personagens e com a história, e que o próprio estúdio avaliasse o desempenho da produção durante todo esse período. Hoje, temos alguns dias para comentar uma série inteira. Daqui a 7 dias ninguém está mais falando do final de ‘Stranger Things’. A Netflix criou esse modelo de consumo. Agora maratonamos 10 episódios em um único final de semana e seguimos para a próxima maratona. Aquela história e aqueles personagens não ficam mais com o público por mais do que alguns dias. E talvez seja exatamente isso que está voltando para assombrar a Netflix. Ela exige que uma produção seja um sucesso em pouquíssimo tempo — 48h após o lançamento, às vezes. Essa métrica restritiva exige que ela seja muito mais eficiente em muito menos tempo, sem possibilidade de correções. O público também tem sua métrica e parece estar se cansando dessa industrialização da arte.
Via : https://www.threads.com/@cinemaroteirizado/post/DbbGGAgFngL/media

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